Em 1984, o escritor canadense William Gibson publicou o livro Neuromancer. Nesse livro, em que o autor cunhou o termo ciberespaço, ele descreve uma sociedade que se vê imersa em um mundo tecnológico e utiliza um espaço digital de interação e comunicação entre as pessoas. A ficção daquela época, hoje é fato. O espaço digital descrito por Gibson, a internet, hoje é acessado por 1,5 bilhões de usuários e cresce exponencialmente, tanto em número de servidores quanto em número de pessoas que os acessam.
Com o crescimento exponencial da busca por informação, as empresas descobriram que integrar diversos serviços de comunicação em um único dispositivo poderia tornar esse aparelho mais atrativo comercialmente. Essa integração de tecnologias e serviços, compartilhando o mesmo meio – a internet –, é o que se chama convergência digital. Acesso à internet pela televisão, uso de telefonia e transmissões de rádio pela internet e até o uso de celulares para assistir TV são alguns exemplos de convergência digital. “Quando se fala de convergência digital, normalmente estamos pensando na integração de tecnologias como computação, telefonia, celular, rádio, televisão, internet etc, e não em um equipamento específico”, destaca João Antônio Zuffo, do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
Aspectos técnicos
O adjetivo “digital” não é suficiente para implementar a convergência. É preciso ter uma largura de banda suficiente para comportar tantos dados trafegando ao mesmo tempo. A largura de banda é uma medida da quantidade de bits por segundo que uma rede pode transmitir. Atualmente, há redes de fibra óptica capazes de transmitir 14 trilhões de bits por segundo. Isso significa aproximadamente 2.660 CDs ou 210 milhões de chamadas telefônicas por segundo. Estima-se, ainda, que essa velocidade esteja triplicando a cada seis meses.
Além da velocidade de transmissão, outro fator que permitiu a convergência de tecnologias digitais foi a adoção de padrões abertos para comunicação, os chamados protocolos. Esses protocolos de comunicação são a base para a internet e estabelecem regras que definem a sintaxe, a semântica e a forma de sincronização dos vários elementos comunicantes. Essas regras podem ser estabelecidas através de software (programas) ou hardware (equipamentos). Assim, todo equipamento ligado à internet adota vários protocolos para se comunicar com diversos outros dispositivos.
Aspectos econômicos
Não se pode negar que, com o advento da convergência digital, um novo paradigma surge também na área econômica. A começar pela forma com a qual novos produtos e serviços serão divulgados e comercializados. Tome-se como exemplo a compra de vídeos e músicas pela internet, além dos e-books ou livros digitais. A compra e o consumo desses produtos ou serviços podem ser feitos de qualquer dispositivo conectado à rede.
Também nasce um novo conceito de marketing com a convergência das tecnologias de comunicação. Nesse novo conceito, não importa somente o que a empresa divulga sobre um produto ou serviço, mas também o que os demais consumidores dizem a respeito. Portanto, isso impulsiona ainda mais a necessidade de inovação, tanto nos produtos como nos serviços que utilizam as tecnologias convergentes.
Aspectos sociais
Observando a revolução propagada pela convergência digital, Arno Penzias, laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1978, afirmou que “a internet ignora os três conceitos básicos da física: o tempo, a massa e o espaço”. Como tudo no mundo digital é representado em bits, a massa, isto é, a quantidade de matéria, deixa de ocupar espaço físico e passa a ocupar o espaço cibernético. A informação deixa de ocupar páginas de livros, revistas ou quaisquer outras publicações para ocupar um lugar no mundo virtual. O tempo também adquire outra conotação. O tempo que se gasta para ter acesso à informação no mundo virtual é relativizado e substituído pela largura de banda necessária para acessar o material.
http://www.comciencia.com.br/ - André Leon

"Isso significa aproximadamente 2.660 CDs ou 210 milhões de chamadas telefônicas por segundo. Estima-se, ainda, que essa velocidade esteja triplicando a cada seis meses."
ResponderExcluirPrepara os FÓRMULAS 1, pra gente acompanhar...
Ednardo